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Serpente Quer Por Ovo No Brasil

SERPENTE QUER POR OVO NO BRASIL

 Assis Ângelo

 

 

A literatura de cordel chegou ao Brasil no século XIX. No correr desse mesmo século, desenvolve-se o sertão da Paraíba.

O primeiro e mais importante cordelista brasileiro foi o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918).

Leandro deixou um legado fantástico, de aproximadamente 800 folhetos. Talvez mais.

Esse cordelista falou de tudo que testemunhou no seu tempo.

Sempre foi natural os cordelistas escreverem sobre comportamentos e crises políticas etc.

No rigor, não sou eu grande coisa como poeta de folheto. Mas é tanta coisa que ocorre no Brasil que decidi poetar, por conta e risco.

Os dois primeiros folhetos que escrevi tratam do Coronavírus e o terceiro, este, trata de questões atuais da política brasileira envolvendo o paranaense Sérgio Fernando Moro que trocou a beca pela gravata ao assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2019.

Na última sexta 24 de abril, o ministro caiu.

Embora triste, essa é uma boa história pra ser contada em folheto e em todos os demais meios de fixação histórica, incluindo livros..

Nessa história a ficção se funde com a realidade e vice versa.

Os únicos nomes próprios aqui referidos atém-se aos de Moro e Bolsonaro, que trefegam selerepes pelos episódios que gerou a demissão do Ministro.

O que aqui exponho é como se fosse, digamos, uma reportagem poética.

Tomara que gostem, pois, enfim, é um história cheia de emoções. O capeta é figura presentíssima no imaginário popular, por isso se acha também aqui.

Viva a literatura de cordel!

 

 

 

 

O futuro está chegando

Já cansado de viver

Triste com tanta besta

Que só pensa no poder

Do Brasil o que será

Se o futuro morrer?

 

Crises econômicas

Política e social

O Capitão bate no peito

De modo bem natural

Lembrando ser o Supremo

Da vida nacional

 

Político é tudo fela

Incluindo o Presidente

Foi numa madrugada

Que nomeou de repente

Mais um apaniguado

Pra defender sua gente

 

O Brasil mais uma vez

Quase morre do coração

O juiz Moro saiu

Por ordem do Capitão

A bandidagem aplaude

Tão infeliz decisão

 

O País não é brinquedo

Pra presidente brincar

O Sérgio Moro saiu

Mesmo querendo ficar

Por causa do Capitão

Que faz tudo pra brilhar

 

Naquele fim de manhã

Havia tensão no ar

O ministro insatisfeito

Danou-se logo a falar

Dizendo por que não dava

No cargo continuar

 

Entranhas do Inferno

Foram por ele mostradas

Bandidos de colarinho

Em ações articuladas

Preparam alegremente

Novas grandes jogadas

 

O Moro foi traído

Por um velho Calabar

Traído, caiu de pé

E à Lei não vai faltar

A vida continua

Novo dia há de chegar

 

O Brasil tem na história

História de traição

Calabar traiu seu povo

Em troca de patacão

Tiradentes, nosso herói

Foi morto por traição

 

Direita bate no Moro

Esquerda bate também

Todo mundo quer bater

Coitado, que culpa tem

Somente porque pôs fim

Ao dito “terra de ninguém”

 

É preciso defender

As leis, a Democracia

Sem liberdade não dá

Pra viver com galhardia

Apostando no futuro

Com raça, com alegria

 

Mas tem ovo chocando

Na barriga da serpente

É ovo da maldade

Que dá bote mata gente

É ovo que não presta

É ovo do Presidente

 

O Brasil é muito forte

Forte completamente

É forte com o seu braço

É forte com sua mente

Mexer com nosso povo

É mexer com nossa gente

 

É o caso de perguntar

Tranquilo, sem ofender

O Capitão é maluco?

Se for posso entender

Se não for, meu Deus do céu!

Que diabo ele quer ser?

 

Tem farsa no Planalto

Tem farsa permanente

Estrelada por um cara

Com faixa de Presidente

A mentir pra todo mundo

Ah! Mas pra Deus ele não mente

 

O caso de perguntar

Tranquilo, sem ofender

Esse cara é maluco?

Se for posso entender

Se não for, meu Deus do céu!

Que diabo ele quer ser?

O que dizer de quem diz

De modo tão prepotente

Eu sou a Constituição!

Eu sou o Presidente!

Ora, só falta dizer

Eu sou Deus Onipotente!

 

Tem serpente chocando
No colo do presidente
Chocando bem devagar
De modo bem paciente
Mas o Brasil novo não quer
Mais um ovo de serpente

 

Esse ovo é maldito

Desde já posso dizer

A serpente vai botar

Ovo goro sem querer

Embora o Bicho Feio

Tente o fato reverter

 

O bicho é muito louco

É xarope é xaropeta

Quer de volta a ditadura

Com tiro e baioneta

Quer de novo pegar gente

Esse filho do Capeta

 

Só não vê quem não quer ver

Há plano em andamento

Plano maquiavélico

A ver com fechamento

O Brasil em perigo

Agora, neste momento!

 

Ele pensa e fala

Sonhando com ditadura

Quer o tempo todo fechado

Com chave na fechadura

Quem não pensa como ele

É trouxa sem armadura

 

Das fileiras se livrou

Por não ser bom militar

Mal exemplo ele deixou

Esperto foi se virar

Mentindo para o povo

Do povo quer se vingar

 

Seu sonho de consumo

Atenção, muita atenção!

É pôr tranca no Congresso

É dar força à repressão

Ou é mandar pra o xilindró

Quem lhe faz oposição?


Ele marcha para trás
Comandando pelotão
Incitando seus cavalos
Contra a paz e união
É um zero à esquerda
À direita é Cramunhão

Ele veio do Inferno

Pra confundir a Nação

Apronta a toda hora

Deus do céu, ele é o Cão!

Ele não gosta da vida

Ódio é sua paixão

 

Eu sou o Presidente!

Eu sou Constituição!

Na mão tenho a caneta

Na cabeça confusão

Mas isso não é defeito

, okay? Isso é precisão!


É contra a liberdade
E a favor da repressão
Muita gente ele matou
De raiva, humilhação
É soldado do Capeta
Do Inferno, guardião

 

É grande filho da morte

É grande filho do Cão

Carrega na sua mente

O mal, a dor, a danação

O que lhe falta fazer

Pôr o Brasil na prisão? 

 

Capetas batem palmas

Pra seu chefe Cramunhão

Que anda muito excitado

Cuspindo fogo no chão

O motivo disso tudo

É Presidente sem noção

 

Já não basta meia quatro
Com morte e perseguição?
O Brasil já não suporta
Horror e provocação
É preciso dar-se cabo
À fala do Capitão

 

Quando abre a boca

Na hora polui o ar

Fica tudo fétido

É difícil respirar

É isso o que ocorre

Quando a Besta quer falar

 

Ficou doido da cabeça

Ficou meio pancada

Pegou Coronavírus

Após levar facada

Viciou-se na mentira

Que nem mulher safada

 

Pena tudo, penam todos

Penam jovens jornalistas

Que quando podem perguntam

Sobre nazi-fascistas

Irritado Presidente

Diz ser todos comunistas 

 

Da imprensa ele não gosta

Da justiça também não

O bicho é invocado

Só gosta de confusão

Anda com fogo no bolso

E gasolina na mão

 

O que vai fazer com isso

Tacar fogo na Nação

Dizer que é bicho macho

Como macho Lampião

Que na hora derradeira

Levou chumbo no Sertão?

 

O Capitão é muito louco

Esse bicho é anormal

Se pudesse fecharia

O Supremo Tribunal

Mas isso ele não pode

Nem se fosse General

 

Jornalistas levam pal

De graça do presidente

Que adora bater forte

No lombo de sua gente

Que a Deus pede rezando

Um futuro diferente

 

Esse cara fala mal

Todo dia do seu povo

Caia chuva, faça sol

Ele grita que nem corvo

Alisando aquela cobra

Que tranquila choca ovo

 

Bolsonaro fala em Deus

Quando quer falar do Cão

Mete o pau em jornalista

No rádio, televisão

Seu lugar é no Inferno

Ao lado do Cramunhão

 

Gosta de falar grosso

Mas logo depois afina

É seu jeito simples de ser

De dizer coisa cretina

Porém não tem respeito

Nem aqui nem lá na China

 

No Inferno tem Capeta

No espaço, pandemia

Muita gente já morreu

De dor, de agonia

Bolsonaro tira sarro

Do seu povo todo dia

 

Diante da pandemia

O Presidente debochou

Dizendo ser gripezinha

Sim, foi isso o que falou

Que diachos há com ele

Perdeu a cela, endoidou?

 

A Covid-19

No mundo é pandemia

No Brasil é quase nada

É somente gritaria

Segundo Bolsonaro

É conversa, fantasia

 

Os mortos se multiplicam

No colo do Capitão

Que o tempo todo só fez

Engendrar complicação

Deixando o povo tonto

Sem luz, na escuridão

 

Um tanto tonto o Brasil

Ferido geme no chão

Enquanto o criminoso,

Um filho do Cramunhão,

Alucinado gargalha

Com um tridente na mão

 

O Brasil está perplexo

Assim meio lascado

Já nem sabe o que fazer

É coice pra todo lado

Tem cavalo doido correndo

Correndo solto no prado


É preciso rezar muito
É preciso ter cuidado
Tem muito macho maluco
Pensando só em soldado
Mas o Brasil é maior
Embora tão judiado

 

Ignorância é força

E liberdade, escravidão

É isso tudo que pensam

Os cavalos do Capitão

Cavalos abomináveis

Que rugem na escuridão

 

Poderia ler livros

Poderia estudar

Mas isso ele não quer

Quer sarna pra se coçar...

Quem procura um dia acha

Diz o dito popular

 

Enquanto o galo canta

No terreiro pra se mostrar

O barco Brasil afunda

Sob escolta militar

É preciso fazer algo

Para o galo se calar


Toda gente sofrendo

Com piolho e Cramunhão
O País marcha pra trás
Por ordens do Capitão
Deus do céu o que será
Do Brasil sem direção?

 

Pra todo canto que vai

Recebe panelaço

Gritos pra cair fora

Povo não é palhaço

Já foi o tempo que disse

Que tinha peito de aço

 

Tudo isso é muito triste

Tudo isso é muito feio

Eu não sei o que é isso

Porém, tenho receio

Disso um dia se acabar

Numa pizza por Correio...

 

Moro e Bolsonaro

Trocam figuras num bar

Bolsonaro quer saber

Se Moro sabe dançar

E se não sabe por que faz

Tanta firulas no ar?

 

Presidente você pede

O que não posso lhe dar

Eu não sou de conchavos

Nisso pode apostar

Filhotes malcriados

Tem de seus crimes pagar

 

Essa você me paga!

Vociferou o chefe

Irritado, gritando, bufando

Rangendo dente

Moro pagou a conta

Disse tchau e foi em frente...

 

Analfabeto político

Embora presidente

Jair Bolsonaro

Envergonha nossa gente

Eu por mim não falo mais

De pateta de patente

 

Mas tem cobra chocando

Talvez possa até vingar

É preciso ter cuidado

Não se deve descuidar

Pois um presidente maluco

pode tudo piorar

 

Assis Ângelo, 30 de abril de 2020